Arte parada no ar | Alvaro Posselt

14 de junho de 2020

Arte parada no ar | Alvaro Posselt

Alvaro Posselt

No dia 12 de março de 2020, lancei meu livro mais recente: Entre miados e ronronos. O evento ocorreu num restaurante durante o horário comercial. Muitos amigos não puderam comparecer. “Não há problema, faço outro para abril”, pensei. No entanto, na semana seguinte o próprio restaurante teve de fechar as portas, assim como muitos lugares, incluindo escolas, shoppings… O motivo? Claro, a pandemia. Meu investimento em livros ficou estacionado em dezenas de caixas. Não pude fazer nada para divulgar e vender meus livros. O ano quase chegando à sua metade e a situação continua a mesma. Também não pude receber escolas em minha casa, que é um espaço cultural. Ou seja, a minha renda ficou comprometida. Sou poeta por profissão, tenho nove livros publicados. Visito escolas, bibliotecas, participo de eventos literários. O Corona vírus fechou as portas do meu trabalho!  

Alvaro Posselt
Poeta

 

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Arte parada no ar

Manifesto
Arte parada no ar

s.

O perigo vem pelo ar
O simples respirar é um risco
Estamos em suspenso
Atônitos
Parados

Se antes ofegantes
pelos tempos sombrios da política,
agora interrompemos a inspiração
Nosso ofício
marcado pelo encontro de pessoas
parou

Artistas isolados
Os primeiros a parar
Sem saber quando poderemos voltar

Nossos palcos cobertos de poeira
Refletores no escuro
Exposições com quadros no chão
Músicos sem plateia
Picadeiros sem graça
Sapatilhas guardadas 
Livros inéditos
Câmeras desligadas

Registramos nosso momento em imagens e textos.
Criamos, sim, dentro dos limites deste novo normal
que ainda não imaginamos
nem nas distopias mais futuristas

Um rascunho
Um ensaio aberto
Um improviso

Um respiro
mediado por telas digitais
e máscaras

Arte parada no Ar
Um retrato
e um desabafo
de criadores que resistem

Arte parada no ar é um manifesto em construção.
Nossa inspiração vem do texto “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri. A peça estreou em 1973 em Curitiba, com direção de Fernando Peixoto. A obra driblou a vigilância da ditadura de então ao usar de uma linguagem metafórica para discutir os problemas sociais. O drama fala sobre as dificuldades de se fazer arte em um tempo de repressão.

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