Arte parada no ar | Freguesia do Livro

16 de junho de 2020

Arte parada no ar | Freguesia do Livro

Freguesia do Livro

Doe seus livros, eles precisam circular e chegar a novos leitores

Esse é o mantra que rege a Freguesia do Livro. Livros que circulam livremente entre quem já gosta de ler e quem têm pouco acesso à leitura. Agora, é na Freguesia que eles estão parados, silenciosos em nossas estantes, não conseguindo chegar a quem os quer e deles precisa. Escolas fechadas, instituições em recesso, estabelecimentos comerciais num abre-não-abre, coordenadoras da OSC na faixa de risco… E como a leitura seria balsâmica nos tempos que correm.

O silêncio impera nas prateleiras da Freguesia, um silêncio cheio de palavras e ideias, livros aguardando impacientes para partir, pedidos prontos e estagnados esperando o momento de chegar a novos leitores.

As tímidas ações realizadas dependem de uma gente valente que está na rua, identificando necessidades e fazendo pontes: uma professora que buscou livros para levar em sacolinhas para a casa de alunos na periferia; um agente de leitura que faz o mesmo na comunidade da Vila Torres; um projeto para o qual 70 livros chegaram a jovens em privação de liberdade no CENSE Piraquara; leitura para 80 meninos e jovens para casas-abrigo da PMC. Mas para quem está acostumado a fazer circular uma média de 1200 livros por mês, tão pouco.

Seguimos em suspenso, atentas à nova ordem, aos novos caminhos para a circulação (de livros, de gente, de ideias) que estão por vir.

Josiane May Bibas
Freguesia do Livro

 

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Arte parada no ar

Manifesto
Arte parada no ar

O perigo vem pelo ar
O simples respirar é um risco
Estamos em suspenso
Atônitos
Parados

Se antes ofegantes
pelos tempos sombrios da política,
agora interrompemos a inspiração
Nosso ofício
marcado pelo encontro de pessoas
parou

Artistas isolados
Os primeiros a parar
Sem saber quando poderemos voltar

Nossos palcos cobertos de poeira
Refletores no escuro
Exposições com quadros no chão
Músicos sem plateia
Picadeiros sem graça
Sapatilhas guardadas 
Livros inéditos
Câmeras desligadas

Registramos nosso momento em imagens e textos.
Criamos, sim, dentro dos limites deste novo normal
que ainda não imaginamos
nem nas distopias mais futuristas

Um rascunho
Um ensaio aberto
Um improviso

Um respiro
mediado por telas digitais
e máscaras

Arte parada no Ar
Um retrato
e um desabafo
de criadores que resistem

Arte parada no ar é um manifesto em construção.
Nossa inspiração vem do texto “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri. A peça estreou em 1973 em Curitiba, com direção de Fernando Peixoto. A obra driblou a vigilância da ditadura de então ao usar de uma linguagem metafórica para discutir os problemas sociais. O drama fala sobre as dificuldades de se fazer arte em um tempo de repressão.

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