Arte parada no ar | Marina Prado

14 de junho de 2020

Arte parada no ar | Marina Prado

Marina Prado

“Tentando a todo custo buscar um contato visual com os olhos curiosos dentro dos carros..

Os aplausos abafados pelos vidros fechados!!”

Tentamos criar mesmo que quase mortos… Sim! Os artistas estão morrendo.. espaços de arte estão morrendo… Não de morte “morrida”.. pior que isso.. a morte da alma . O corpo continua ali… Vazio…

Ao invés da cidade criar ferramentas de apoio aos artistas … Ela nos tira.. a única possibilidade de retomar a alma..

Mas pensam eles que conseguiram???
. .. não!

Porque ?
A arte não morre”

Marina Prado (38 anos)
Mãe da Helena de 3 anos e Cecília 10 meses.
Bailarina e Artista Circense
Fundadora da Marina Prado Cia Circense

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Arte parada no ar

 

Manifesto
Arte parada no ar

O perigo vem pelo ar
O simples respirar é um risco
Estamos em suspenso
Atônitos
Parados

Se antes ofegantes
pelos tempos sombrios da política,
agora interrompemos a inspiração
Nosso ofício
marcado pelo encontro de pessoas
parou

Artistas isolados
Os primeiros a parar
Sem saber quando poderemos voltar

Nossos palcos cobertos de poeira
Refletores no escuro
Exposições com quadros no chão
Músicos sem plateia
Picadeiros sem graça
Sapatilhas guardadas 
Livros inéditos
Câmeras desligadas

Registramos nosso momento em imagens e textos.
Criamos, sim, dentro dos limites deste novo normal
que ainda não imaginamos
nem nas distopias mais futuristas

Um rascunho
Um ensaio aberto
Um improviso

Um respiro
mediado por telas digitais
e máscaras

Arte parada no Ar
Um retrato
e um desabafo
de criadores que resistem

Arte parada no ar é um manifesto em construção.
Nossa inspiração vem do texto “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri. A peça estreou em 1973 em Curitiba, com direção de Fernando Peixoto. A obra driblou a vigilância da ditadura de então ao usar de uma linguagem metafórica para discutir os problemas sociais. O drama fala sobre as dificuldades de se fazer arte em um tempo de repressão.

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